segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Querida folha de papel,

Há tempos não escrevia nada. Precisava de algo que de fato me motivasse. Por um longo período nada do gênero veio até mim. Hoje vieram dois. Dois iguais.

Não vou dizer o que é, como é. Se é masculino ou feminino ou seja lá o que for. Só vou dizer que é bom para os outros. Mais especificamente para as pessoas com quem aconteceu. Para mim, não. Não significa que quero o mal dos outros, mas porque quero o bem à eu mesmo. É da natureza humana querer o melhor para si. O grande e diria que, o único problema é, em toda a minha vida, a timidez. A prova viva desta é esse texto. É um desabafo à ninguém. Isso me faz melhor, mas, ao mesmo tempo, me faz enxergar que eu não tenho sequer uma pessoa verdadeiramente confiável para dizer tudo o que estou escrevendo. É como se eu fosse apenas um e os outros, muitos que só servem para me ouvir nas horas de felicidade.

Todos os dias faço várias pessoas gargalharem. Isso me motiva. Mas cansa ser feliz o tempo inteiro. Não quero parecer bem sempre, deve ser chato. A vida não seria nada sem altos e baixos. Nos meus momentos baixos, os amigos que servem para ouvir meu modo extrovertido, desaparecem. Sobra uma folha. E é nela que coloco os sentimentos mais secretos e não mostro para ninguém. Até o dia que eu encontra-la por acaso e achar graça. Hoje acho graça do meu passado. Penso que se tivesse seguido o mesmo caminho que estava seguindo, eu seria uma pessoa patética. Mas também penso que, se fosse patético, seria ainda mais divertido, e talvez não fosse necessário mostrar o que sinto à um pedaço de papel. O que me tranquiliza é saber que outras pessoas fazem o mesmo. Só não as conheço. O dia que conhecer uma mulher que faça isso, me caso com ela.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O som das coisas.

Não tenho tido sono. E isso gera uma vontade estranha de querer descobrir o som das coisas, principalmente do lugar onde moro. Vou até o ultimo andar, e lá, fico parado, em silêncio, ouvindo o outro silêncio, o que me cerca. E o mais impressionante é que esse "nada" faz barulho. Junto com o "nada" ouço o som das pessoas fazendo "nada". E é um som que eu nunca ouvi na vida. E é dificílimo descrever este som assim, através de palavras, mas é como um vento, um vento que não se move. E então nós sentimos a sensação de estar ali, saindo do normal, fugindo do certo, porque todos ao seu redor estão fazendo "nada"e você está ouvindo esse "nada". Embora parecendo algo confuso e enlouquecedor, isso é sem dúvida alguma melhor do que estar dormindo. Porque assim, estamos pensando. E pensar é a maior virtude do homem. É o que nos faz descobrir, não nos deixa envelhecer.

Eu penso muito. E esse meu pensamento, muitas vezes me traz segurança. Porque eu imagino que se não houver ninguém para conversar comigo, eu ainda vou ter minha mente. Vou continuar exercendo a arte de pensar. O grande problema disso tudo, é que os que pensam muitas vezes descobrem coisas que não deveriam ser descobertas. Criam suspeitas, desconfianças. E então, sofrem. Sofrem por terem que compartilhar isso tudo com a sua própria mente. Poucos fazem isso. Eu faço. E sofro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Crescer? Pra que crescer?

Quero correr atrás de doce no dia de São Cosme e Damião, rir a toa, jogar video game, cantar sem medo de parecer ridículo, acordar no meio da tarde e ir pra rua descabelado, andar de patinete, roubar as uvas da parreira do vizinho, desenhar com giz de cera, fazer dobraduras, assistir desenhos, correr atrás de pombo, caça-los, sujar as mãos e limpa-las na blusa, mascar chiclete o dia inteiro, dormir sem escovar os dentes, fazer pegadinhas com as pessoas que passam na calçada, fazer “psiu”e disfarçar, tomar banho de borracha, jogar sabão no chão e escorregar de um lado para o outro, montar barracas na sala de casa, comprar carrinhos de controle remoto, quebrar carrinhos de controle remoto, cair no chão e chorar, limpar o nariz e passar o dedo debaixo da mesa, encher bexigas com água e estoura-las, correr e abraçar meus pais quando estes chegam do trabalho.

Não vou crescer. Já decidi. Nem adianta.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Curiosidades construtivas - Literalmente.

Minha casa é fria. Não sei porque, mas ela é fria. Na verdade, ela já foi quente, antes de construirmos um terceiro andar, para ser mais exato. Precisou construir um andar novo para que eu percebesse isso. E junto, percebi a insatisfação contínua do ser humano. Eu reclamava do calor, hoje reclamo do frio. Mas o frio daqui é diferente. Não é um frio que um simples cobertor resolve. É um frio que entra na gente, passa pela barriga e ali fica, como se a nossa barriga fosse o lugar onde o frio fica pra esquentar. E dói é claro. Dói muito. Dá vontade de andar agachado, fazendo força contra a barriga.

Além da frieza, minha casa guarda muitos mistérios interessantes. Um, que na verdade não é mistério, é que quando uma das inúmeras obras que aqui foram feitas estava em andamento, foram descobertas moedas antigas dentro da parede do banheiro. Conforme a parede ia sendo quebrada, moedas iam caindo do interior dos tijolos. E ninguém que construiu a casa lembra das moedas serem colocadas na parede. Fico imaginando quanto dinheiro minha casa tem por dentro das paredes.

Mais que passado.

Hoje relembrei a vida de uma forma típica dos tempos modernos: Descobri um fotolog antigo, ao qual nem a senha lembro. O mais incrível é ver como nós éramos estranhos.

Tive a mesma sensação que tenho quando olho fotos dos meus tataravós, que estão mortos: Você sabe que aquilo que está ali existiu um dia, por mais estranho que possa parecer. O Rodrigo que vi ali, não existe mais, morreu há muito tempo. O jeito de escrever, a maneira de agir, que são sim perceptíveis pelas fotos, não pertenciam e muito menos pertencem a mim. Eu era, naquela época, um Tofu das pessoas com quem vivia.

Mas mesmo que sem personalidade, aquela foi uma fase muito boa da minha vida. Eu soube aproveita-la ao máximo. Se há tempos em que eu posso dizer “Vivi tudo o que tinha pra viver”, o tempo seria esse.

Hoje me orgulho muito do que sou. Não é preciso ser o dono de uma multinacional pra se orgulhar de você mesmo. Eu sou orgulhoso por ser um que fala com todos, brinca com todos, e principalmente porque agora, tenho o meu jeito e personalidade, que garanto, ninguém no mundo tem.

Ao mesmo tempo que me orgulho, fico muito triste em ver as outras pessoas seguirem tendências. É como se o gosto fizesse parte de um ciclo natural: Nascer, crescer, gostar disso e daquilo, mudar de opinião, envelhecer e morrer. O morrer desse ciclo, não é de velhice. É de saturação.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Futuro, incerteza, arte.

O futuro é uma coisa muito incerta pra muita gente. (Para mim inclusive). Ninguém sabe nada a respeito de nada quando se trata disso. E por mais que o ser humano se preocupe com sua formação, nada garante que ele será uma pessoa célebre. Célebre: O futuro das palavras também é muito incerto. Hoje, quando se fala em celebridade, logo se pensa em uma pessoa famosa. Uma celebridade é alguém que é célebre em alguma coisa. Seja no trabalho, em determindadas habilidades, ou na arte. E ser célebre na arte é o que mais admiro.

Na verdade eu admiro a arte, e principlamente as pessoas que a fazem. Porque só estes seres têm a capacidade e o poder de procurarem dentro de si um lugar muito especial e reservado, e fazer arte com ele. Eu posso – sei que posso – e me admiro muito por isso. Quero ser célebre nessa área. Célebre de acordo com o dicionário, e não de acordo com a cabeça do povo.

O grande problema de admirar a arte, é o pré-conceito. Lido com muita gente ignorante(fato), e quando conto minhas preferências às tais, a cara é sempre a mesma: Nariz torto, olhos arregalados. Por isso chamo isso de pré-conceito(“Pré” separado de “conceito” por hipérbole – Só).

E aí surge a pergunta: Por que eu fui falar de “futuro incerto”? Porque o nosso futuro só será certo – e correto – quando conseguirmos acabar com o pré-conceito. Um dia isso vai acontecer, e eu espero estar aqui para ver.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Assalto

Maria estava saindo do trabalho. Na verdade, mais cedo, pois havia sido demitida. Sua frustração era enorme. Seu dia tinha sido um caos: Chegou atrasada ao emprego, e para piorar, esqueceu o projeto do chefe em sua mesa da cozinha, e obviamente foi obrigada a voltar para buscar. Ao retornar, já havia outra trabalhando em seu lugar.

A empresa em que trabalhava, ficava em cima de um banco (Ao qual muitas vezes ficou horas na fila para pagar as contas do chefe) e a circulação naquela área era grande. Mas algo estranho acontecia no momento em que ela saia do prédio pela última vez: Não havia ninguém ali. Desconfiada, foi olhando para os lados, tentando encontrar algum motivo para não chorar e ter mais vontade de viver, pois naquele momento, sua vontade era de morrer, da forma mais rápida e escondida possível.

Ao se aproximar da esquina, quando ia atravessar, um carro da polícia, em altíssima velocidade quase a atropelou. Assustada, ela esperou e em seguida, tornou a atravessar a rua. No meio do percurso, alguém a agarrou pelo pescoço. Ela não queria acreditar, mas era inevitável não pensar em: “Assalto” – Gritou o bandido- desesperado, tremendo e apontando uma arma para a mulher indefessa, que mesmo nervosa, estava feliz por dentro: Aquilo podia ser o que o carro de polícia não conseguiu completar: Sua morte.

O carro que havia passado ali há poucos instantes, retornou, e inúmeros policiais saíram repletos de armas e munições. O ladrão dizia, com voz trêmula: “Se chegar perto, eu mato”. Aquilo soava como música aos ouvidos de Maria. Só assim ela poderia morrer sem ter que fazer nada. O trabalho ficaria todo por conta do marginal, porque suicídio não seria nem um pouco agradável. As pessoas ficariam pro resto da vida sem saber o porquê da morte, e ainda iam ficar falando “Coitada dela, parecia tão feliz!”

Resolveu esperar. Se tivesse que morrer, morreria. Foi quando ouviu um barulho muito forte. Ela conseguiu perceber que estava caindo, mas o braço que apertava seu pescoço, ainda estava ali, mais fraco, mas estava. Quando estava no chão, seus olhos não fecharam, não sentiu dor alguma, e muito menos morreu. Na verdade, ela estava em cima de um defunto. Ao perceber o ocorrido, se soltou o mais rápido que pôde e correu para os policias. Desesperada, ela perguntava: “Quem o matou? Quem o matou?” A resposta foi: “Ele mesmo senhora.” Então ela abriu um leve sorriso e pensou para si: “Vão ficar para o resto da vida sem saber o porquê do suicídio, e ainda vão dizer Coitado dele, parecia tão feliz!”