Maria estava saindo do trabalho. Na verdade, mais cedo, pois havia sido demitida. Sua frustração era enorme. Seu dia tinha sido um caos: Chegou atrasada ao emprego, e para piorar, esqueceu o projeto do chefe em sua mesa da cozinha, e obviamente foi obrigada a voltar para buscar. Ao retornar, já havia outra trabalhando em seu lugar.
A empresa em que trabalhava, ficava em cima de um banco (Ao qual muitas vezes ficou horas na fila para pagar as contas do chefe) e a circulação naquela área era grande. Mas algo estranho acontecia no momento em que ela saia do prédio pela última vez: Não havia ninguém ali. Desconfiada, foi olhando para os lados, tentando encontrar algum motivo para não chorar e ter mais vontade de viver, pois naquele momento, sua vontade era de morrer, da forma mais rápida e escondida possível.
Ao se aproximar da esquina, quando ia atravessar, um carro da polícia, em altíssima velocidade quase a atropelou. Assustada, ela esperou e em seguida, tornou a atravessar a rua. No meio do percurso, alguém a agarrou pelo pescoço. Ela não queria acreditar, mas era inevitável não pensar em: “Assalto” – Gritou o bandido- desesperado, tremendo e apontando uma arma para a mulher indefessa, que mesmo nervosa, estava feliz por dentro: Aquilo podia ser o que o carro de polícia não conseguiu completar: Sua morte.
O carro que havia passado ali há poucos instantes, retornou, e inúmeros policiais saíram repletos de armas e munições. O ladrão dizia, com voz trêmula: “Se chegar perto, eu mato”. Aquilo soava como música aos ouvidos de Maria. Só assim ela poderia morrer sem ter que fazer nada. O trabalho ficaria todo por conta do marginal, porque suicídio não seria nem um pouco agradável. As pessoas ficariam pro resto da vida sem saber o porquê da morte, e ainda iam ficar falando “Coitada dela, parecia tão feliz!”
Resolveu esperar. Se tivesse que morrer, morreria. Foi quando ouviu um barulho muito forte. Ela conseguiu perceber que estava caindo, mas o braço que apertava seu pescoço, ainda estava ali, mais fraco, mas estava. Quando estava no chão, seus olhos não fecharam, não sentiu dor alguma, e muito menos morreu. Na verdade, ela estava em cima de um defunto. Ao perceber o ocorrido, se soltou o mais rápido que pôde e correu para os policias. Desesperada, ela perguntava: “Quem o matou? Quem o matou?” A resposta foi: “Ele mesmo senhora.” Então ela abriu um leve sorriso e pensou para si: “Vão ficar para o resto da vida sem saber o porquê do suicídio, e ainda vão dizer Coitado dele, parecia tão feliz!”
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