segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Crescer? Pra que crescer?

Quero correr atrás de doce no dia de São Cosme e Damião, rir a toa, jogar video game, cantar sem medo de parecer ridículo, acordar no meio da tarde e ir pra rua descabelado, andar de patinete, roubar as uvas da parreira do vizinho, desenhar com giz de cera, fazer dobraduras, assistir desenhos, correr atrás de pombo, caça-los, sujar as mãos e limpa-las na blusa, mascar chiclete o dia inteiro, dormir sem escovar os dentes, fazer pegadinhas com as pessoas que passam na calçada, fazer “psiu”e disfarçar, tomar banho de borracha, jogar sabão no chão e escorregar de um lado para o outro, montar barracas na sala de casa, comprar carrinhos de controle remoto, quebrar carrinhos de controle remoto, cair no chão e chorar, limpar o nariz e passar o dedo debaixo da mesa, encher bexigas com água e estoura-las, correr e abraçar meus pais quando estes chegam do trabalho.

Não vou crescer. Já decidi. Nem adianta.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Curiosidades construtivas - Literalmente.

Minha casa é fria. Não sei porque, mas ela é fria. Na verdade, ela já foi quente, antes de construirmos um terceiro andar, para ser mais exato. Precisou construir um andar novo para que eu percebesse isso. E junto, percebi a insatisfação contínua do ser humano. Eu reclamava do calor, hoje reclamo do frio. Mas o frio daqui é diferente. Não é um frio que um simples cobertor resolve. É um frio que entra na gente, passa pela barriga e ali fica, como se a nossa barriga fosse o lugar onde o frio fica pra esquentar. E dói é claro. Dói muito. Dá vontade de andar agachado, fazendo força contra a barriga.

Além da frieza, minha casa guarda muitos mistérios interessantes. Um, que na verdade não é mistério, é que quando uma das inúmeras obras que aqui foram feitas estava em andamento, foram descobertas moedas antigas dentro da parede do banheiro. Conforme a parede ia sendo quebrada, moedas iam caindo do interior dos tijolos. E ninguém que construiu a casa lembra das moedas serem colocadas na parede. Fico imaginando quanto dinheiro minha casa tem por dentro das paredes.

Mais que passado.

Hoje relembrei a vida de uma forma típica dos tempos modernos: Descobri um fotolog antigo, ao qual nem a senha lembro. O mais incrível é ver como nós éramos estranhos.

Tive a mesma sensação que tenho quando olho fotos dos meus tataravós, que estão mortos: Você sabe que aquilo que está ali existiu um dia, por mais estranho que possa parecer. O Rodrigo que vi ali, não existe mais, morreu há muito tempo. O jeito de escrever, a maneira de agir, que são sim perceptíveis pelas fotos, não pertenciam e muito menos pertencem a mim. Eu era, naquela época, um Tofu das pessoas com quem vivia.

Mas mesmo que sem personalidade, aquela foi uma fase muito boa da minha vida. Eu soube aproveita-la ao máximo. Se há tempos em que eu posso dizer “Vivi tudo o que tinha pra viver”, o tempo seria esse.

Hoje me orgulho muito do que sou. Não é preciso ser o dono de uma multinacional pra se orgulhar de você mesmo. Eu sou orgulhoso por ser um que fala com todos, brinca com todos, e principalmente porque agora, tenho o meu jeito e personalidade, que garanto, ninguém no mundo tem.

Ao mesmo tempo que me orgulho, fico muito triste em ver as outras pessoas seguirem tendências. É como se o gosto fizesse parte de um ciclo natural: Nascer, crescer, gostar disso e daquilo, mudar de opinião, envelhecer e morrer. O morrer desse ciclo, não é de velhice. É de saturação.