sábado, 9 de agosto de 2008

Vanildo

Vanildo é um cara que se emociona fácil. Chora até quando vê seu papagaio repetindo palavras ensinadas por ele. 

Juca é um papagaio que aprende rápido. Acha engraçado quando Vanildo chora ao vê-lo fazer coisa tão fácil.

Ninguém sabe ao certo o motivo de tanta emoção que surge de tal homem. Talvez seja a solidão, já que seus relacionamentos, como sempre, vão de mal a pior.

Ao acordar, Vanildo pega o jornal e prepara seu café. Enquanto isso, observa, com orgulho, seu papagaio falar. Emocionado, lembra do dia em que tais palavras foram ensinadas à Juca. Foi quando ouviu algo estranho. Algo que Juca não aprendeu, pelo menos da boca de seu dono. Mas como? Vanildo era solteiro, e nos raros momentos em que estava comprometido, não levava suas namoradas para casa em hipótese alguma. Visinhos? Vanildo morava no centro da cidade, onde não havia visinhos.

De fato Vanildo estava certo. Ninguém aprende nada sem ser ensinado. Alguém invadiu sua casa e teve contato com Juca. Quando? Não houve nenhum momento em que isso pudesse acontecer. Uma das coisas mais protegidas da casa, era a gaiola do Juca. Angustiado, e obviamente, chorando, saiu de casa para dar uma volta. Como hábito, trancou o apartamento. Uma das vantagens de se morar no centro, é o fato de não haver cachorros, e conseqüentemente, não haver cocô de cachorro nas calçadas.

 Com calma, foi pensando: Se fosse alguém que quisesse entrar em seu apartamento sem ter as chaves, como faria? Não faria. Era impossível entrar em sua fortaleza. Foi quando de repente parou. Simplesmente parou. Lembrou de sua secretária eletrônica. Há tanto tempo não recebia um recado, que já até esquecido dela ele tinha. Sem medo, atravessou as ruas do centro, que estavam vazias, já que era domingo. Chegou em casa, olhou para a secretária, apertou o botão. Imediatamente, uma voz doce surgiu: “Vanildo, a saudade que sinto é dolorosa, e não posso mais agüentar. Por favor, volte para mim, eu te amo! Amo, amo, amo e amo.” Amo. Essa era a palavra. Vanildo olhou para Juca que disse: “Amo, amo e amo”. Ah! Se a secretaria de Vanildo tivesse vida. Ele a agarraria por todos os lados e lhe daria um imenso beijo. Fora a primeira palavra que Juca aprendeu, sem a presença de Vanildo. A partir daí, todos os dias, quando acordava, pegava o Jornal, e ouvia seu papagaio dizer: Amo, amo, amo. Tudo aquilo que Vanildo nunca teve por completo, seu papagaio agora dizia, todas as manhas, em enorme clareza: “Amo, amo e amo.”

3 comentários:

Violeta disse...

confesso que não entendo a história. por que vanildo não procurou a moça do recado? que sem graça, poxa!
beijo, maria :)

Rodrigo disse...

bah! a estória fala de um papagaio que aprende uma nova palavra. não é uma estória de amor!

rs...
beijoo

yasmin gomlevsky disse...

Também acho que ele podia ter procurado a moça. Mas adorei!