domingo, 10 de agosto de 2008

Copacabana

Praia. Quem não se encanta com as pessoas passando, os velhinhos caminhando e os jovens jogando conversa fora? Ninguem resiste a uma praia, e com Fred, não poderia ser diferente.

 Fred é do tipo praiero. Já perdeu a conta da quantidade de empregos em que foi demitido por chegar atrasado da hora do almoço, onde sempre dá uma caminhadinha pelo calçadão. No percurso, as pessoas perguntavam: “E então Fred? Não foi trabalhar hoje?”, ou “Já acabou o expediente?”, e Fred respondia que sim, que já acabou o expediente, e mesmo que não tivesse acabado, Fred estaria ali, como nos seus tempos de escola, já que nunca parava para estudar, e por isso trabalhava como motoboy.

 A realidade é que a infância de Fred foi muito dura. Quando chegava da escola, encontrava sua mãe chorando, geralmente com um olho roxo. Sempre que perguntava o que havia acontecido, sua mãe dizia que sem querer bateu com o rosto na porta do armário. Realmente: As portas do armário iam aos bares da cidade, bebiam até cair e batiam em quem vissem pela frente.

 Para pelo menos tentar fugir da realidade, o menino freqüentava a praia, ainda que de noite, e observava as ondas, sozinho, com o vento ácido da maresia batendo em seu rosto. E assim cresceu: Diante das ondas, as quais infelizmente, sempre puderam ser comparadas a sua vida: Cresciam um pouco, e novamente caiam.

 Aos quinze anos, seu pai morreu alcoolizado em um acidente de carro, e sua mãe não suportou a perda. Ficou sozinho no mundo. Os vizinhos o acolheu, mas o menino, a partir de então, nunca mais deixou de freqüentar a praia. Sentia ali algo que o completava. Não seus pais, mas alguma coisa que ele não sabia identificar. A grandeza? Talvez.

 Mas o que mais impressionava no Fred, era sua capacidade de fingir que estava tudo bem. Guardava dentro de si os problemas que carregara na vida inteira. E mantinha sempre um sorriso, ainda que falso, no rosto.

 Depois de perder seu último emprego, passou a usar drogas. Com isso perdeu muitas outras coisas: Primeiro o sorriso, depois, a dignidade. Morreu em um hospital público. Seus amigos acham que ele morreu de overdose. Mas overdose de tristeza, e não de drogas.

Um comentário:

Violeta disse...

eu gostei dele falando sobre a vida que parecem as ondas =)